Essa pretensa minimalidade é coerente com a idéia de que, embora se possa aprender muito em classe, isso será sempre menos do que se consegue pelo esforço individual isolado. As aulas, principalmente as de uma disciplina inicial, são boas menos pelos conhecimentos que venham transmitir, mas por despertar a curiosidade, motivando o estudo individual e a discussão entre colegas. Esperamos que os estudantes complementem estas notas com trabalho e outras leituras. O livro Análise Real, Volume 1, IMPA, RJ (1997), de Elon Lages Lima é uma excelente referência para esse fim.
Hoje em dia é realizado um grande esforço em alguns centros, inclusive em nosso Departamento, para ensinar o Cálculo com intenso apelo a recursos computacionais. Nos programas das correspondentes disciplinas costumam-se inserir aulas em laboratórios de computação e dar grande repercussão e esse fato. Embora estas notas claramente não tenham sido redigidas com esse espírito, não somos contrários à utilização de recursos computacionais no ensino. Somos contrários a essa estratégia. Em nossa opinião, ao se atualizar programas e adaptar as disciplinas de Cálculo Diferencial e Integral a novas estruturas curriculares, deve-se manter o foco da atenção nas questões verdadeiramente do Cálculo. Quanto ao uso dos computadores, o que os estudantes devem ter é a oportunidade de iniciar-se nas práticas computacionais numa disciplina separada das de Cálculo. Seria uma disciplina (de baixa carga horária) de apoio não só ao Cálculo, mas também a outros assuntos da Matemática.
Supomos que o leitor já tenha conhecimentos de Trigonometria e Geometria Analítica Plana. Se este curso for precedido de um desses ``Pré-Cálculos'' hoje existentes, achamos oportuno que esses assuntos sejam abordados neles.