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A função
f(x)=1/x2, considerada no item (1) do Exemplo 2.2.2,
cujo gráfico é esboçado numa das Figura 2.5,
mostra uma situação em que não existe o limite. De fato,
os valores
f(x)=1/x2 ficam arbitrariamente grandes tomando-se x
mais e mais próximo de 0. Assim, f não é localmente limitada em 0.
Embora não exista o limite de
f em 0 - e isto deve ficar claro, pois não existe
um número
nas condições da Definição
2.1.1 - ainda
assim se escreve
Diz-se que o limite de 1/x2 em 0 é infinito.
Nas aplicações, f(x) representa em geral uma
grandeza física ou biológica ou econômica etc,
que desempenha algum papel em alguma situação real.
Nesses casos, pode ser importante detectar pontos a, onde a função
f(x) tem um comportamento como o de 1/x2 em x=0.
Sejamos, portanto, mais precisos:
Definição 2.3.1
Seja
a um ponto de acumulação de

e seja

.
Diz-se
que o limite de
f em
a é infinito, e denota-se

se, dado um número
K>0 qualquer, existe um número

de modo que
A definição acima está dizendo que se
,
não importa
quão grande seja um número K, é sempre possível obter
,
para
,
tomando-se
suficientemente pequeno.
Tipicamente, uma função que satisfaz a Definição 2.3.1
tem um gráfico com o aspecto do de y=1/x2 dado nas Figuras 2.5 (examine
os gráficos das funções dos itens (2) e (3) do Exemplo 2.3.1
para convencer-se de que esta afirmação tem de ser
interpretada com muita flexibilidade). Se uma função f satisfaz
Definição
2.3.1, diz-se que o gráfico de f tem uma assíntota vertical
em a. A reta x=a é essa assíntota.
Exemplo 2.3.1 (1)
Se
f(
x)=1/|
x-
a|, então

.
(2) Se, como de costume, [x] denota a parte inteira de x, e
então

.
(3) Se
,
então
.
A verificação dos itens (1)-(3) do Exemplo 2.3.1
fica a cargo do leitor, que deve também fazer um esboço do
gráfico das funções ali consideradas.
A proposição abaixo estabelece um fato com que todos nós
provavelmente já nos deparamos em alguma investigação intuitiva.
Prova Seja K>0 um número dado.
De acordo com a Definição 2.3.1, precisamos mostrar que existe
de modo que, se
,
então
.
Como nossas hipóteses e as propriedades
apresentadas na seção anterior implicam
,
podemos tomar
e apelar para a Definição 2.1.1 para assegurar que existe
de modo que
mas, de acordo com a escolha de
e observando que
f(x) e g(x) podem ser considerados positivos
(tomando
menor, se necessário), a última desigualdade é
equivalente a
f(x)/g(x)>K.
Considerando a função -1/|x| e
o limite, quando x tende a 0, o leitor verá que
neste caso o limite também não existe, mas é natural
escrever
.
Fica a seu cargo
definir a expressão
por analogia à
Definição 2.3.1. Depois disso é
muito fácil criar exemplos de diferentes funções f
tais que
.
Neste caso também o
gráfico de f tem uma assíntota vertical em x=a.
Se considerarmos agora a função f(x)=1/x do item (1) do
Exemplo 2.2.2, cujo gráfico é esboçado na
Figura 2.5, teremos uma boa motivação para definir
o significado de serem
os limites laterais de f em
a. Ou seja, é agora natural definir a expressão abaixo para
todas as combinações de
:
Não o faremos aqui por se tratar meramente
de um trabalho mecânico.
Figure:
 |
Se considerarmos a função f(x)=1/x e calcularmos f(x) para
valores cada vez maiores de x, verificaremos que f(x) se
torna arbitrariamente próximo de 0. Esta situação é
denotada por
e inspira a seguinte
definição:
Definição 2.3.2
Suponhamos que

tenha interseção não vazia com intervalos da forma

e consideremos uma
função

.
Diz-se que o limite de
f no
infinito é

,
e se escreve
se, dado um número

qualquer, existe um número

de modo que
A Definição 2.3.2 significa que, se considerarmos no plano xy
uma faixa:
,
não importa quão estreita ela seja, existe um número K>0
de modo que, para
,
o gráfico de f fica dentro dessa
faixa. Veja a Figura 2.8.
Dizemos neste caso que a reta
é uma assíntota horizontal
em
do gráfico de f, ou da função f.
Observação 2.3.1
Quando, como na Definição
2.3.2, um
conjunto

tem interseção não vazia
com qualquer intervalo da forma

,
é
costume dizer-se que

é ponto de acumulação de
A.
O leitor pode justificar os itens do exemplo acima, apelando para a
Definição
2.3.2, e esboçar o gráfico das funções em questão
para
.
Dividir o numerador e
o denominador por x facilita no caso do item (1).
Se considerarmos f(x)=x2, ou f(x)=x, observamos que f(x)
pode ser feito arbitrariamente grande tomando-se x
suficientemente grande. Esse comportamento se denota por
e é estabelecido na seguinte definição:
Definição 2.3.3
Suponhamos que

contenha um intervalo da forma

e consideremos uma
função

.
Escreve-se

se, dado um núnero
L>0 qualquer, existe
K=
K(
L)>0 de modo que
Com alguma paciência, o leitor poderá considerar todas as
combinações possíveis dos sinais
e seguir os mesmos
passos da Definição 2.3.3, para então definir o significado de
Todas as proposições relativas a limites podem ser
reformuladas com adaptações óbvias para limites no infinito,
com
no papel do ponto a.
Proposição 2.3.2
Suponhamos que as seguintes
condições estejam satisfeitas:

ou

,

e

.
Então

Prova Seja
dado e consideremos
.
A prova para os casos
é inteiramente análoga.
Suponhamos
.
Tomando
,
a
definição de limite implica que existe
tal que
Portanto, uma simples discussão sobre o sinal de
leva a
 |
(2.4) |
Como
,
tomando
menor, se
necessário, podemos assegurar que
 |
(2.5) |
Combinando (2.14) e (2.15), temos finalmente
o que completa a prova no caso
.
Se
a prova é muito fácil e não faremos.
A proposição a seguir, cuja prova é deixada como
exercício, estabelece propriedades dos limites infinitos
análogas às da Proposição 2.2.1.
Proposição 2.3.3 (a)
Se

e

,
então
(b) Se

e

,
então
(c) Se

e

,
então
(d) Seja

um número. Se

e

,
então
Substituindo-se o ponto a por
,
a
proposição acima continua valendo.
Exemplo 2.3.4 (1)
Se

é um polinômio,

,
a0>0, então

.
De fato, podemos escrever
 |
(2.6) |
e a afirmação segue agora da Proposição
2.3.3(d).
(2)
De fato, como estamos interessados em valores da variável x
tais que |x| seja grande, portanto
,
podemos dividir o
numerador e o denominador por x2, aplicar diversas propriedades
que já conhecemos e escrever:
A interpretação geométrica deste fato é que a reta
horizontal
y=3/2 é uma assíntota do gráfico da
função
f(
x)=(3
x2+1)/(2
x2-2
x-4). A
Figura 2.9 é um esboço do gráfico de
f.
Figure 2.9:
f(x)=(3x2+1)/(2x2-2x-40)
|
|
(3) Uma assíntota horizontal do gráfico da função

é a reta
y=0. De fato, basta
verificar que

,
dividindo o numerador
e o denominador por
x3, e procedendo como no item 2), acima.
Conhecer as assíntotas horizontais e verticais do gráfico de
uma função é um valioso recurso para estudar esse gráfico,
como se nota no item (2) do Exemplo 2.3.4. Quando estudarmos
as derivadas, um pouco mais adiante, possuiremos outros recursos que,
aliados a este, nos permitirão traçar esboços melhores.
Antes de resolver os exercícios a seguir, chamamos a atenção
para um procedimento que já foi utilizado anteriormente:
Para facilitar o cálculo do limite do quociente de dois
polinômios em x, quando
,
é geralmente útil
dividir o numerador e o denominador por xn, onde n é o grau do
polinômio de maior grau.
Este recurso também pode ser útil em alguns casos de quocientes
envolvendo radiciação de polinômios.
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Placido Zoega Taboas
2000-04-02